De dentro de sua cela, com os olhos fixos em algum ponto, aquele homem se sente traído, em seu coração o amargo fel da vingança se multiplica a cada minuto que passa de sua pena.
Condenado a 22 anos de prisão por latrocinio, ele culpa uma única pesssoa pela sua prisão, seis anos se passaram, durante cada dia ele alimentou o ódio, o desejo de matar, e embora soubesse que éra culpado e admitisse o crime que ele praticou, condenava a testemunha que se contradisse no seu depoimento e que desta forma fez com que a pena fosse aplicada.
Dos seus olhos parecia que a qualquer momento iria fluir sangue, e ele sabia que estava chegando a hora de sair, que seria beneficiado pelo seu bom comportamento, que a lei estava ao seu favor, aguardava ansiosamente o momento em que o alvará de soltura para sua liberdade provisória acontecesse.
Ele dizia em seu coração, essa mulher vai morrer, ela não podia ter feito isso comigo, combinamos o seu depoimento, ensaiamos suas palavras, a morte dela será lenta, vagarosa, quero ver ela sofrer como estou sofrendo aqui neste lugar, vai morrer sufocada, mas não antes de eu enfiar agulhas embaixo de suas unhas, e queimar o seu corpo com pontas de cigarro…
Os dias se passaram, e quando ele saiu pela porta da penitenciaria, ela estava lá esperando ansiosamente sua saída, ele atravessou a rua a abraçou e disse, vamos mãe até que enfim chegou a hora.